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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Linguage dos oios (Patativa do Assaré)

Quem repara o corpo humano
E com coidado nalisa,
Vê que o Autô Soberano
Lhe deu tudo o que precisa,
Os orgo que a gente tem
Tudo serve munto bem,
Mas ninguém pode negá
Que o Auto da Criação
Fez com maior prefeição
Os orgo visioná.

Os óio além de chorá,
É quem vê a nossa estrada
Mode o corpo se livrá
De queda e barruada
E além de chorá e de vê
Prumode nos defendê,
Tem mais um grande mistér
De admirave vantage,
Na sua muda linguage
Diz quando qué ou não qué.

Os óios consigo tem
Incomparave segredo,
Tem o oiá querendo bem
E o oiá sentindo medo,
A pessoa apaixonada
Não precisa dizê nada,
Não precisa utilizá
A língua que tem na bôca,
O oiá de uma caboca
Diz quando qué namorá.

Munta comunicação
Os óio veve fazendo
Por izempro, oiá pidão
Dá siná que tá querendo
Tudo apresenta na vista,
Comparo com o truquista
Trabaiando bem ativo
Dexando o povo enganado,
Os óios pissui dois lado,
Positivo e negativo.

Mesmo sem nada falá,
Mesmo assim calado e mudo,
Os orgo visioná
Sabe dá siná de tudo,
Quando fica namorado
Pela moça despresado
Não precisa conversá,
Logo ele tá entendendo
Os óios dela dizendo,
Viva lá que eu vivo cá.

Os óios conversa munto
Nele um grande livro inziste
Todo repreto de assunto,
Por izempro o oiá triste
Com certeza tá contando
Que seu dono tá passando
Um sofrimento sem fim,
E o oiá desconfiado
Diz que o seu dono é curpado
Fez arguma coisa ruim.

Os óis duma pessoa
Pode bem sê comparado
Com as água da lagoa
Quando o vento tá parado,
Mas porém no mesmo istante
Pode ficá revortante
Querendo desafiá,
Infuricido e valente;
Neste dois malandro a gente
Nunca pode confiá.

Oiá puro, manso e terno,
Protetó e cheio de brio
É o doce oiá materno
Pedindo para o seu fio
Saúde e felicidade
Este oiá de piedade
De perdão e de ternura
Diz que preza, que ama e estima
É os óio que se aproxima
Dos óio da Virge Pura.

Nem mesmo os grande oculista,
Os dotô que munta estuda,
Os mais maió cientista,
Conhece a lingua muda
Dos orgo visioná
E os mais ruim de decifrá
De todos que eu tô falando,
É quando o oiá é zanoio,
Ninguém sabe cada óio
Pra onde tá reparando.

domingo, 16 de outubro de 2011

Os poemas

Os poemas


Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Fonte:
QUINTANA, Mário. Esconderijos do tempo. Porto Alegre: L&PM,1980.


Uma maneira simples de dizer "coisas". Bjs!!!

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Aos meus alunos e alunas e a todos os estudantes

Uma pequena reflexão

Andando pela estrada da vida
De repente entrei numa Casa
“Era uma casa muito engraçada,
Não tinha teto, não tinha nada.
Ninguém podia entrar nela não
Porque na casa não tinha chão.
Ninguém podia dormir na rede
Porque a casa não tinha parede
Mas era feita com muito esmero”
E especialmente para mim
Estava cheia de manjares e presentes;
E até então, eu não os havia percebido.
Comecei a olhar para todos os lados,
Fui adentrando ainda com receio,
Vi que havia no ar, ainda jovens,
Muitos pensamentos soltos que eu precisava juntar
Para alicerçar a casa e construir suas paredes.
Percebi, ao entrar, vários companheiros
Que estavam comigo no mesmo objetivo;
Só que, cada um, tinha sua própria Casa para edificar e mobiliar.
Percebi, também, vários mestres que direcionavam o caminho
E nos ajudavam a colocar cada Tijolo no lugar.
Começamos a trabalhar em conjunto.
Aos poucos vi que, a cada Tijolo que colocávamos no lugar,
Era um pedacinho da casa que se edificava, e a cada trabalho mais árduo
Ou bronca dada pelos mestres, a casa ficava mais consistente
E nós ficávamos mais confiantes.
E assim...
De Tijolo em Tijolo,
A casa se edificou e, peça por peça,
A casa se mobiliou.
Hoje, aqui estamos para a despedida dos mestres e dos colegas
Para que possamos ser mestres de outros que pretendam, assim como nós,
Abrir a porta de suas casas para receber a mobília e edificar suas paredes
Com o único bem indestrutível, O CONHECIMENTO.

(Socorro Almeida)

Frases de Ralph Waldo Emerson

Oi pessoal! Aí vão algumas frases que são verdeadeiras lições de vida. Emerson foi poeta e filósofo dos EUA no século XIX. Bjs!

"É fácil viver no mundo conforme a opinião das pessoas. É fácil, na solidão, viver do jeito que se quer. Mas o grande homem é aquele que, no meio da multidão, mantém com perfeita doçura a independência da solidão".

"Adote o ritmo da natureza: seu segredo é a paciência."

"A recompensa de uma coisa bem feita é tê-la feito".

"A única maneira de ter um amigo é sendo um."

"Para cada minuto em que você está zangado, perde 60 segundos de bem-estar."

"A glória da amizade não é a mão estendida, nem o sorriso carinhoso, nem mesmo a delícia da companhia. É a inspiração espiritual que vem quando você descobre que alguém acredita e confia em você."

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Uma situação do dia-a-dia

Hoje, sete de setembro de 2011, dia da "independência" do Brasil é um bom dia para refletirmos sobre o país que queremos e o que temos. É um momento para analisarmos pequenas situações para ter uma visão ampla do mundo em que estamos. Só um exemplo seria saber como acontecem, no trânsito, tantos acidentes e tantas mortes por pouca tolerância, que faz o sujeito descer do seu majestoso carro e atirar no outro. Que tal observar como as pessoas agem com o carrinho de supermercado. Os colocam em qualquer lugar, sem pensar que o outro também precisa do espaço. Colocam-se entre as prateleiras sem se perguntarem se o outro precisa passar e ainda levam, sem necessidade, para o tumulto do lugar, a avó, a mãe ou o bebê para ter prioridade nas filas, fatos que acontecem também nos bancos e outros expedientes.

sábado, 20 de agosto de 2011

Literatura em Movimento: DUAS PALAVRAS SOBRE A SEMIÓTICA

Literatura em Movimento: DUAS PALAVRAS SOBRE A SEMIÓTICA

DUAS PALAVRAS SOBRE A SEMIÓTICA

DUAS PALAVRAS SOBRE A SEMIÓTICA
Escrito por Maria do Socorro P. de Almeida -em Abril de 2003

A comunicabilidade do homem existe desde antes do nascimento, pois esse acontece em virtude do relacionamento de alguns órgãos que, ao trabalharem em conjunto, dão vida ao ser. Pensando assim, vê-se imediatamente a amplidão da comunicação, que para acontecer, cada indivíduo usa um determinado tipo de linguagem apropriada para ser entendida pelo seu interlocutor.
Com a imensa variedade de linguagens existentes, se faz necessário algo que ajude a entendê-las, separá-las, estudá-las e explicá-las posteriormente, assim, criou-se uma ciência que se dedica ao assunto, a Semiótica.
Entenda-se por semiótica o estudo de todas as linguagens em geral e, sendo a linguagem algo mutável, a semiótica é um processo em crescimento, é a investigação em progresso de acordo com a linguagem do universo. Sendo o homem um ser insaciável, que vive a procura de explicações, a semiótica faz parte desta sede de conhecimentos que move a humanidade. No século XX, o homem torna-se testemunha do nascimento de duas ciências da linguagem: A linguística, ciência da linguagem verbal e a Semiótica, ciência de toda e qualquer linguagem.
A linguagem verbal é aquela em que há comunicação através da fala e da escrita. A semiótica vai mais além, ela parte deste princípio até a linguagem impensável. Em todo e qualquer ato do homem há comunicação e automaticamente uma linguagem. O bebê ao nascer não sabe falar e nem por isso deixa de se comunicar, porque, no uso dos sentidos sabe-se o que ele quer.
Agora imagine um indivíduo ao acordar, lê o jornal, liga a TV ou o rádio, pega um ônibus, que ele sabe qual é, porque houve uma comunicação visual. Chegando ao local de trabalho: dá bom dia, fala ao telefone, usa o fax, escreve memorandos, usa o computador e, na volta para casa e para no sinal, porquê? Porque algum tipo de linguagem lhe disse para parar. Na estrada ele sabe onde deve ou não parar, aonde deve ou não entrar, porque há uma comunicação imediata entre ele e as placas de trânsito, por isso elas são tão importantes, pela falta de uma delas pode se perder uma vida.
O surdo-mudo não fala e, na maioria das vezes, usa a linguagem dos acenos. Os animais também se comunicam entre si e com o próprio homem, pois esse sabe, por exemplo, quando um cão quer carinho, quando quer comida ou quando quer atacar-lhe.
Dessa forma, a linguagem é um fenômeno tão amplo que seria impossível relacionar todas as formas. A linguagem existe desde sempre, na pré-história o homem já desenhava símbolos nas pedras, com um sentido de comunicação. A dança é um tipo de linguagem e é mais usada do que muita gente pensa. Em algumas tribos indígenas o homem fazia a dança do acasalamento para conquistar a mulher, as abelhas usam a dança para se comunicar. Todo movimento feito pelo homem é, sem duvida, um tipo de linguagem, a fotografia, a pintura, a escultura, o teatro, sem falar nos códigos universais da comunicação: o sorriso e o olhar.
Depois desse relato é difícil imaginar o homem sem comunicação e a semiótica abrange a tudo que é permitido ao homem como forma de linguagem. Assim, tomou seu espaço como uma das mais importantes ciências, ela mostra a capacidade do ser humano na busca do seu “eu” e a grandiosidade deste ser, que nada mais é, do que a criação da comunicação entre Deus e o universo.