domingo, 22 de janeiro de 2012
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Noventa anos da Semana de Arte Moderna no Brasil
Há 90 anos, em 11 de fevereiro de 1922 começava a Semana de Arte Moderna no Brasil. Em um clima de rebeldia e muita inspiração os poetas brasileiros expressam as novas formas de fazer literatura, dando início as três fases do Modernismo Brasileiro. Foi um evento ocorrido no Teatro Municipal de São Paulo, o qual contou com inúmeros eventos, como apresentação de conferências, leitura de poemas, dança e música e vários grandes nomes da literatura brasileiras, tais como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Manuel Bandeira, Di Cavalcanti, Graça Aranha, Guilherme de Almeida e muitos outros. A semana de arte foi apenas o passo oficial, na verdade os indícios dessa nova literatura já se fazem presente nos textos dos Pré-Modernistas e vêm se renovando até os dias de hoje.
Pronominais (Oswald de Andrade)
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
Pronominais (Oswald de Andrade)
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
Arte de Amar (Manuel Bandeira)
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
Poema de sete faces ( Carlos Drummond Andrade)
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos , raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos , raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo,
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
se eu me chamasse Raimundo,
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Canção (Cecília Meireles)
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Que cidade merece ser sucumbida pelo lixo???????????
Essa é a imagem do desespero, do medo, do terror e da injustiça. Uma cidade e sua história podem ser sucumbidas pelo lixo coletivo. É irônico, mas lembramos aqui o Padre Antonio Vieira em O Sermão de Santo Antônio aos Peixes quando diz que "É preciso muitos pequenos para alimentar um grande". Pois é, o CAPITALISMO venceu mais uma vez! O povo da cidade de Puxinanã terá sua história manchada e SUJA pelo lixo coletivo de Campina Grande que será, simplesmente jogado na cidade, como mostram os dados na figura ao lado. Esse fato revela um escuso acordo entre os respectivos prefeitos e muuuuito provavelmente as grandes construtoras que estão investindo em Campina Grande, especialmente as que têm planejamentos para ocupar os espaços próximos ao antigo lixão. Especula-se que além de condomínios de luxo também será construído um shopping próximo ao espaço antes ocupado pelo lixo. Dessa forma, teriam que dar um destino ao lixo e, como é de praxe, chegaram a conclusão da vulnerabilidade da cidade de Puxinanã por ser geograficamente afastada da BR e assim poderia esconder a "sujeira" e depois por ser, a cidade, um lugar pouco desenvolvido, ou seja, trata-se de um lugar que não interessa, pelo menos por enquanto, à especulação capitalista de espaços imobiliários. Mesmo assim, com a beleza natural que a cidade possui, os lajedos, açudes, lagoas e o famoso "tanque preto" poderiam investir no Turismo, mas o poder público, que comandou o município durante muitos anos só se preocupou com o próprio bolso. Então nos vem a pergunta: Porque os prefeitos das citadas cidades não fizeram um acordo para levar uma indústria ou algo que possibilitasse mais empregos ao povo puxinanaense, para que pudesse elevar a renda dos habitantes da cidade? A resposta é muito simples: é mais fácil matar um moribundo do que gastar reais para que recupere a saúde.
Diante disso não podemos nos furtar à indignação pela injustiça com que está sendo tratada a cidade de Puxinanã, é como apagar um povo e sua cultura. Mas isso não é novidade no Brasil, é só olhar as histórias das construções das grandes hidrelétricas, a exemplo das construídas nos arredores da cidade de Paulo Afonso-BA, e podemos observar povos que perderam sua história, sua cultura e sua identidade que foram afogadas pelas águas das barragens das hidrelétricas. Assim, é sempre o sacrifício de muitos, sobretudo dos mais pobres, em benefício de poucos (os ricos)!!!
Maria do Socorro P. de Almeida
O poema abaixo foi publicado em 2004 no livro "Mundo, linguagem e literatura ao gosto popular", de minha autoria. Hoje não posso deixar de me indgnar com a usurpação do meu lugar de memória. Sou filha de Campina Grande, mas meus avós eram de Puxinanã e esse é o meu lugar de memória, de infância, de sonhos ... Acho que o problema do lixão deveria ser resolvido, mas não dessa forma, pois não posso, para limpar o meu quintal, jogar o lixo no quintal do vizinho e é isso que está acontecendo. Portanto, peço, em nome dos nossos antepassados e dos atuais habitantes da cidade, que as autoridades repensem sobre essa atitude de pessoas que serão beneficiadas com isso, não é difícil de imaginar quem são elas quando observamos as vantagens políticas e financeiras que estão em jogo.
Puxinanã, outra Canção do Exílio
Minha terra tem fruteiras!
E o progresso não importa
Som de casa de farinha...
Hummm! de cuscuz de mandioca.
As aves que lá gorjeiam
Comem milho não, pipoca.
Dela, lembro tarde e manhã...
Por isso eu hei de voltar
ao lugar Puxinanã.
Minha terra tem jaqueira,
Manga, pitomba e cipó
também tem as palmeiras
onde canta o curió.
Tem açude, tem lagoa
Que a seca torna pó.
Mesmo sem curimatã
Ainda hei de voltar
ao lugar Puxinanã.
Minha terra é bonita
Andorinha... arribação...
Vê-se até o sabiá
A cantar pela manhã
Crianças brincam de roda
sem medo do amanhã.
Não permita Deus que eu morra
sem mais ver Puxinanã!
Ao cismar, sozinho à noite
Pouco prazer encontro eu cá
Não permita Deus que eu morra
sem que volte para lá.
Soltar pião, papagaio...
Sem ver o tempo passar.
Ouvir o apito do trem
Quando um amigo chegar.
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá!
Minha terra tem vizinhos
Com mútua consideração,
tem a missa de domingo
E o povo em comunhão.
Tem calçada e muita prosa
pra depois da refeição.
Cajueiro... bananeira...
Tem até pé de romã,
Não permita Deus que eu morra
Sem mais ver Puxinanã!
Diante disso não podemos nos furtar à indignação pela injustiça com que está sendo tratada a cidade de Puxinanã, é como apagar um povo e sua cultura. Mas isso não é novidade no Brasil, é só olhar as histórias das construções das grandes hidrelétricas, a exemplo das construídas nos arredores da cidade de Paulo Afonso-BA, e podemos observar povos que perderam sua história, sua cultura e sua identidade que foram afogadas pelas águas das barragens das hidrelétricas. Assim, é sempre o sacrifício de muitos, sobretudo dos mais pobres, em benefício de poucos (os ricos)!!!
Maria do Socorro P. de Almeida
O poema abaixo foi publicado em 2004 no livro "Mundo, linguagem e literatura ao gosto popular", de minha autoria. Hoje não posso deixar de me indgnar com a usurpação do meu lugar de memória. Sou filha de Campina Grande, mas meus avós eram de Puxinanã e esse é o meu lugar de memória, de infância, de sonhos ... Acho que o problema do lixão deveria ser resolvido, mas não dessa forma, pois não posso, para limpar o meu quintal, jogar o lixo no quintal do vizinho e é isso que está acontecendo. Portanto, peço, em nome dos nossos antepassados e dos atuais habitantes da cidade, que as autoridades repensem sobre essa atitude de pessoas que serão beneficiadas com isso, não é difícil de imaginar quem são elas quando observamos as vantagens políticas e financeiras que estão em jogo.
Puxinanã, outra Canção do Exílio
Minha terra tem fruteiras!
E o progresso não importa
Som de casa de farinha...
Hummm! de cuscuz de mandioca.
As aves que lá gorjeiam
Comem milho não, pipoca.
Dela, lembro tarde e manhã...
Por isso eu hei de voltar
ao lugar Puxinanã.
Minha terra tem jaqueira,
Manga, pitomba e cipó
também tem as palmeiras
onde canta o curió.
Tem açude, tem lagoa
Que a seca torna pó.
Mesmo sem curimatã
Ainda hei de voltar
ao lugar Puxinanã.
Minha terra é bonita
Andorinha... arribação...
Vê-se até o sabiá
A cantar pela manhã
Crianças brincam de roda
sem medo do amanhã.
Não permita Deus que eu morra
sem mais ver Puxinanã!
Ao cismar, sozinho à noite
Pouco prazer encontro eu cá
Não permita Deus que eu morra
sem que volte para lá.
Soltar pião, papagaio...
Sem ver o tempo passar.
Ouvir o apito do trem
Quando um amigo chegar.
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá!
Minha terra tem vizinhos
Com mútua consideração,
tem a missa de domingo
E o povo em comunhão.
Tem calçada e muita prosa
pra depois da refeição.
Cajueiro... bananeira...
Tem até pé de romã,
Não permita Deus que eu morra
Sem mais ver Puxinanã!
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Feliz Ano Novo!
Que a estrela do Novo Ano ilumine teus dias e que o amor de Cristo esteja sempre em teu coração, para que tenhas um ano de paz e alegrias; que o tempo nunca te passe em vão, sem que a vida te ofereça uma oportunidade de olhar para um mundo novo a cada instante!
Saúde, esperança e muitas realizações!!
Com o carinho de Socorro Almeida e Sérgio Malta
Saúde, esperança e muitas realizações!!
Com o carinho de Socorro Almeida e Sérgio Malta
Feliz Natal!
O Natal é símbolo de sonho, amor e compreensão
É motivo de alegria, de esperança de reflexão...
Mas tudo se faz nada,
Sem o consentimento do coração.
Que os anjos de Deus coloquem sobre ti e os teus, a capacidade necessária para a tolerância, a hombridade para o inexorável e a infinita sabedoria para o discernimento. Que a aurora de cada manhã prenuncie um lindo dia e cada estrela na noite, possibilite uma canção!
Feliz Natal e um Ano Novo de alegrias e realizações!!
São os votos de Sergio e Socorro
É motivo de alegria, de esperança de reflexão...
Mas tudo se faz nada,
Sem o consentimento do coração.
Que os anjos de Deus coloquem sobre ti e os teus, a capacidade necessária para a tolerância, a hombridade para o inexorável e a infinita sabedoria para o discernimento. Que a aurora de cada manhã prenuncie um lindo dia e cada estrela na noite, possibilite uma canção!
Feliz Natal e um Ano Novo de alegrias e realizações!!
São os votos de Sergio e Socorro
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